quando a prova vale mais que o ser humano

PUBLICIDADE


A cena foi chocante, constrangedora e, acima de tudo, reveladora. Durante uma prova de resistência no Big Brother Brasil, o ator Henri Castelli sofreu uma convulsão diante das câmeras, pro Brasil inteiro ver, e também diante  do olhar atento de colegas, participantes como ele que, em sua maioria, simplesmente continuaram disputando a prova como se nada estivesse acontecendo.

 Apenas um, um participante teve a nobreza de descer de sua plataforma de prova pra ajudar Henry, o Alberto Cowboy.

Enquanto o ator perdia o controle do próprio corpo, apenas uma pessoa teve o reflexo humano básico: tentar ajudar. Os demais permaneceram imóveis, presos à lógica do jogo, à contagem regressiva mental do prêmio, como se a integridade física de alguém fosse um detalhe irrelevante no roteiro do reality mais assistido do país.

É impossível assistir à cena sem um nó na garganta. Convulsões não são “mal-estar comum”. Elas indicam uma descarga elétrica anormal no cérebro e podem ter diversas causas, desde estresse extremo, privação de sono, exaustão física, até condições neurológicas pré-existentes, bem como disse o neurologista Dr. Sérgio Jordy.

 Em provas de resistência, onde o corpo é levado ao limite, o risco é real, concreto e conhecido.

Mas o que se viu, porém, foi a vitória do individualismo televisionado. Um retrato duro de como a competição, quando levada ao extremo, pode anestesiar a empatia. O jogo seguiu. A prova seguiu. Henri Castelli não.

O BBB é, digamos, um experimento social. Pois bem: o experimento mostrou muito mais do que estratégias e alianças. Mostrou como, sob pressão, algumas pessoas escolhem ignorar o óbvio e se fecham em si próprias. Mas ninguém ganha quando alguém passa mal, é obvio, porque a saúde mental de todos, incluindo a direção do programa, fica fragilizada.

 A produção agiu certo e como deveria.

Mas fica a pergunta incômoda: por que só um participante agiu antes dela? Apenas um!

Confesso que as cenas me chocaram e me faço uma grande pergunta: Em que momento normalizamos que vencer uma prova é mais importante do que socorrer alguém em risco? E se fosse um filho meu, um parente lá?

Reality show não pode ser sinônimo de desumanização. E cenas como essa escancaram a necessidade urgente de se repensar limites, protocolos, e, principalmente, valores dos participantes mesmo que o que está sendo disputado seja o prêmio milionário de 5 milhões de reais.



Fonte Na telinha

Mais recentes

PUBLICIDADE