Mocinho ou vilão? Por que Benedict pode ser cancelado em Bridgerton · Notícias da TV

PUBLICIDADE


Na quarta temporada de Bridgerton, que estreia em 29 de janeiro na Netflix, Benedict Bridgerton (Luke Thompson) corre sério risco de deixar de ser visto como mocinho e acabar cancelado pelos fãs. Inspirada no livro Um Perfeito Cavalheiro, a nova fase do personagem trará atitudes que, embora aceitáveis no século 19, podem soar muito problemáticas para o público atual.

No romance de Julia Quinn, Benedict se apaixona por Sophie Beckett (Yerin Ha), uma criada pobre e filha bastarda de um conde. Por saber que não poderia se casar com ela sem manchar o nome da família Bridgerton, ele oferece a alternativa de mantê-la ao seu lado como amante.

O risco de cancelamento está justamente nessa relação de poder. Enquanto Benedict continua sendo um nobre respeitado, Sophie seria obrigada a “viver no pecado”, abrindo mão de qualquer futuro socialmente aceitável. Para os padrões atuais, o romance passa a ser lido como uma dinâmica de opressão, na qual o herói se aproveita da vulnerabilidade da mocinha.

A história se passa na Inglaterra do século 19, quando casamentos entre classes sociais diferentes eram praticamente impossíveis. Benedict é irmão de um visconde e membro de uma das famílias mais influentes de Londres. Sophie, por outro lado, ocupa o lugar mais baixo da hierarquia social, o que limita suas escolhas e reforça o desequilíbrio entre os dois.

Antes de reencontrá-la, Benedict idealiza a misteriosa “Dama de Prata” do baile de máscaras. Depois de salvá-la de uma tentativa de estupro e passar alguns dias com ela em um chalé, ele deixa a fantasia de lado e encara a realidade de Sophie, tentando moldá-la a uma solução conveniente para si mesmo.

Para a arrumadeira, a oferta é um insulto. Aceitar ser amante significaria condenar possíveis filhos ao mesmo destino de exclusão que marcou sua vida. Sob a ótica de 2026, a atitude de Benedict expõe não apenas o privilégio masculino, mas também o de classe, um comportamento que dificilmente passará ileso nas redes sociais.

O que esperar da Netflix?

A Shondaland, produtora de Bridgerton, já mostrou que não hesita em suavizar comportamentos problemáticos dos protagonistas. Em O Duque e Eu, livro que deu origem à primeira temporada, Daphne comete um ato grave contra Simon durante a cena da concepção, algo que a série tentou amenizar com os personagens de Phoebe Dynevor e Regé-Jean Page.

A grande questão é se a Netflix fará o mesmo com Benedict. Ele continuará como o homem que tenta “comprar” uma amante ou será transformado em um herói mais aceitável para o público atual?

Esse desafio é ainda maior porque a série construiu, ao longo das temporadas, um Benedict diferente do dos livros. Mais livre, artístico, bissexual e alinhado a discursos contemporâneos. A versão televisiva do personagem colide com a persistência quase obsessiva e moralmente questionável do romance original.

A nova temporada terá de equilibrar duas narrativas: a do homem que salva Sophie de um crime brutal e a do nobre que, logo depois, a oprime com uma proposta indecente.

Confira o trailer da quarta temporada de Bridgerton:

ThumbnailAssistir o vídeo



FonteNoticias da tv

Mais recentes

PUBLICIDADE